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11/05/2010 - SINTERCAMP briga por melhores condições de trabalho


Campanha de abril envolve cinco sindicatos

Cinco sindicatos de trabalhadores em empresas de refeições coletivas de São Paulo, filiados a Fetercesp, têm data-base em 1º de abril e estão em campanha salarial. São eles, o SINTERCAMP, de Campinas, presidido por Paulo Ritz, o SEERC SJC, de São José dos Campos, presidido por José Carlos da Conceição, o SINTERC N/O, das regiões Norte e Oeste do Estado, presidido por Waldir Aparecido Avanzo, o SINTERCUB, de Cubatão, presidido por Abenésio dos Santos, e o SINTENUTRI, dos técnicos de nutrição e dietética de Sâo Paulo, presidido por Maria de Lourdes S. Souza. Todos eles reivindicam a reposição da inflação dos últimos 12 meses, aumento real de salário, com índices maiores para os pisos, participação nos lucros e resultados e redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais.Para os sindicalistas, a desculpa dos efeitos da crise já não existe mais, as empresas aumentaram em muito sua produtividade e devem repassar esses ganhos para os seus funcionários.

Centrais exigem 40h em frente à casa dos patrões da indústria

Uma manifestação unitária das centrais sindicais dia 13 de abril com cerca de 20 mil trabalhadores em frente à Fiesp encerrou mais um round da luta nacional pela redução da jornada semanal de trabalho de 44 horas para 40 horas, sem o corte nos salários.
Depois do protesto, os trabalhadores montaram barracas e acamparam diante da sede estadual dos patrões da indústria, situada na avenida Paulista, centro de São Paulo. Em meados de março, a Força Sindical havia entregue documento à Fiesp solicitando a abertura de negociações sobre a jornada de 40 horas, mas ainda não obteve resposta.
Campanha geral
Para o secretário geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, os dirigentes sindicais também querem negociar as 40 horas por empresa ou por segmento econômico.

“A nossa iniciativa está ligada à campanha geral para pressionar a Câmara dos Deputados a aprovar a PEC 231/95, que dispõe sobre a diminuição da carga horária de trabalho”, afirma Juruna.

O tempo de trabalho é um debate que interessa a toda a sociedade brasileira porque está ligado à solidariedade entre os trabalhadores: vai criar cerca de 2,5 milhões de novos empregos no país.

Mais emprego produz mais salário e mais consumo, produzindo um círculo virtuoso capaz de diminuir a miséria e a violência. “Só com muita pressão, haverá alguma chance de a Câmara votar logo a proposta da semana menor”, diz Carlos Vicente de Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação de São Paulo.

Trabalhador precisa aumentar bancada no Congresso Nacional

A dificuldade em fazer o Congresso Nacional votar e aprovar a PEC 231/95 que estabelece a semana de 40 horas, sem redução salarial, está ligada à origem de classe dos parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado. A maioria deles saiu do lado patronal. Vota de acordo com os interesses dos seus empregadores.

Os representantes dos trabalhadores, ao contrário, não passam de uma centena em 594 políticos que formam a Câmara e o Senado. Por isso, até agora não foi possível por em votação e aprovar a redução da jornada semanal, além de outras reivindicações.

Ampliar direitos

De acordo com a avaliação do editorial do Boletim DIAP, é fundamental eleger parlamentares comprometidos com os trabalhadores para garantir e ampliar direitos trabalhistas. Além disso, a representação parlamentar será importante para “fazer a mediação entre as autoridades públicas e a classe trabalhadora e entre esta e os empresários, nos momentos de conflitos”, diz o texto.

Atualmente, a atual bancada, apesar de pequena, reagiu bem às investidas do neoliberalismo no Congresso, porém esta combatividade não dará conta dos desafios de uma conjuntura diferente da vivenciada pelos trabalhadores no segundo mandato do presidente Lula.