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Campanha
de abril envolve cinco sindicatos
Cinco sindicatos de trabalhadores em
empresas de refeições coletivas de São
Paulo, filiados a Fetercesp, têm data-base em 1º
de abril e estão em campanha salarial. São eles,
o SINTERCAMP, de Campinas, presidido por Paulo Ritz, o SEERC
SJC, de São José dos Campos, presidido por José
Carlos da Conceição, o SINTERC N/O, das regiões
Norte e Oeste do Estado, presidido por Waldir Aparecido Avanzo,
o SINTERCUB, de Cubatão, presidido por Abenésio
dos Santos, e o SINTENUTRI, dos técnicos de nutrição
e dietética de Sâo Paulo, presidido por Maria
de Lourdes S. Souza. Todos eles reivindicam a reposição
da inflação dos últimos 12 meses, aumento
real de salário, com índices maiores para os
pisos, participação nos lucros e resultados
e redução da jornada de trabalho para 40 horas
semanais.Para os sindicalistas, a desculpa dos efeitos da
crise já não existe mais, as empresas aumentaram
em muito sua produtividade e devem repassar esses ganhos para
os seus funcionários.
Centrais
exigem 40h em frente à casa dos patrões da indústria
Uma manifestação unitária das centrais
sindicais dia 13 de abril com cerca de 20 mil trabalhadores
em frente à Fiesp encerrou mais um round da luta nacional
pela redução da jornada semanal de trabalho
de 44 horas para 40 horas, sem o corte nos salários.
Depois do protesto, os trabalhadores
montaram barracas e acamparam diante da sede estadual dos
patrões da indústria, situada na avenida Paulista,
centro de São Paulo. Em meados de março, a Força
Sindical havia entregue documento à Fiesp solicitando
a abertura de negociações sobre a jornada de
40 horas, mas ainda não obteve resposta.
Campanha geral
Para o secretário geral da Força Sindical, João
Carlos Gonçalves, o Juruna, os dirigentes sindicais
também querem negociar as 40 horas por empresa ou por
segmento econômico.
“A nossa iniciativa está ligada à campanha
geral para pressionar a Câmara dos Deputados a aprovar
a PEC 231/95, que dispõe sobre a diminuição
da carga horária de trabalho”, afirma Juruna.
O tempo de trabalho é um debate que interessa a toda
a sociedade brasileira porque está ligado à
solidariedade entre os trabalhadores: vai criar cerca de 2,5
milhões de novos empregos no país.
Mais emprego produz mais salário e mais consumo, produzindo
um círculo virtuoso capaz de diminuir a miséria
e a violência. “Só com muita pressão,
haverá alguma chance de a Câmara votar logo a
proposta da semana menor”, diz Carlos Vicente de Oliveira,
presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias
da Alimentação de São Paulo.
Trabalhador precisa aumentar bancada no Congresso Nacional
A dificuldade em fazer o Congresso Nacional votar e aprovar
a PEC 231/95 que estabelece a semana de 40 horas, sem redução
salarial, está ligada à origem de classe dos
parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado. A
maioria deles saiu do lado patronal. Vota de acordo com os
interesses dos seus empregadores.
Os representantes dos trabalhadores, ao contrário,
não passam de uma centena em 594 políticos que
formam a Câmara e o Senado. Por isso, até agora
não foi possível por em votação
e aprovar a redução da jornada semanal, além
de outras reivindicações.
Ampliar direitos
De acordo com a avaliação do editorial do Boletim
DIAP, é fundamental eleger parlamentares comprometidos
com os trabalhadores para garantir e ampliar direitos trabalhistas.
Além disso, a representação parlamentar
será importante para “fazer a mediação
entre as autoridades públicas e a classe trabalhadora
e entre esta e os empresários, nos momentos de conflitos”,
diz o texto.
Atualmente, a atual bancada, apesar de pequena, reagiu bem
às investidas do neoliberalismo no Congresso, porém
esta combatividade não dará conta dos desafios
de uma conjuntura diferente da vivenciada pelos trabalhadores
no segundo mandato do presidente Lula.
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