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Trabalhador
pode ter dois dias de folga a mais por ano
Projeto aprovado ontem pela Comissão de Assuntos Econômicos
(CAE) do Senado garante ao trabalhador o direito de faltar
ao trabalho dois dias por ano sem prejuízo do salário - um
dia para acompanhar os filhos em atividade escolar e outro
para tratar de assuntos pessoais. O projeto ainda vai para
a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e, se aprovada, não precisa
ser votada em plenário antes de seguir para a Câmara, salvo
se houver recurso. O projeto unifica duas propostas. Uma foi
apresentada em 2008 pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF),
sobre licença para acompanhamento escolar dos filhos. A outra,
do senador Paulo Paim (PT-RS), trata da folga para tratar
de interesses pessoais e tramita no Senado desde 2003. Ambas
foram unidas em relatório do senador Gim Argello (PTB-DF).
Cristovam Buarque argumenta que, sem essa folga regulamentada
em lei, apenas as classes média e alta conseguem acompanhar
os filhos na escola. "A classe média consegue, muitas vezes,
folga espontânea, negociada com o chefe, mas e os trabalhadores
das classes mais baixas? Que direito tem uma doméstica, por
exemplo, de pedir folga para ir à escola do filho? questiona
o senador. Na avaliação de Cristovam, a folga sem prejuízo
do salário "poderá atrair o interesse das grandes massas para
a educação dos filhos". Para ter direito a essa folga, o trabalhador
deverá pedir autorização ao empregador pelo menos 30 dias
antes da data desejada. Para comprovar sua participação nas
atividades relacionadas ao filho, ele também deverá apresentar
comprovante expedido pela escola. No caso de folga para tratar
de assuntos particulares, cada empresa deverá fixar um acordo
sobre como esta folga será negociada. Em seu relatório, Gim
Argello afirma que a aprovação do projeto significará aumento
médio de apenas 0,002% no custo de cada dia trabalhado, considerando
um ano de 220 dias trabalhados. "Os benefícios sociais das
proposições superam o custo econômico que apontamos. Ainda
acreditamos que, aprovadas, as medidas terão, também, um impacto
econômico positivo, consubstanciado no bem-estar do trabalhador,
que exercerá suas funções com maior motivação, e no de seus
filhos, que terão maior incentivo para seu aprendizado", diz
Argello, no projeto. |